14 de jun. de 2011

FORA MÁFIA DO DCE DA PUCRS! #DEMOCRACIAJÁ

 Hoje cerca de 600 estudantes se reuniram na PUCRS para protestar contra a máfia do DCE, e fecharam a Av. Ipiranga por cerca de 30 minutos. A manifestação percorreu o campus aos som das palavras de ordem: "DCE, que papelão! Bate em mulher e frauda eleição!"

Cada vez mais estudantes se somam a essa luta que começou com o impedimento das chapas de oposição de  se inscreverem no CONUNE, e culminou com a agressão de duas estudantes por parte de integrantes do DCE, ontem à noite. Mas essas atitudes são apenas amostras do que os estudantes da PUCRS vêm sofrendo há mais de 20 anos sem eleições democráticas para a gestão do diretório.

É hora de dizer CHEGA! Os estudantes reunidos hoje mostraram que o movimento não cessará até que haja democracia de fato na Universidade e que os mafiosos do DCE sejam punidos pela corrupção e pelas agressões cometidas ao longo de todos esses anos.

Esse ato vitorioso de hoje, que conseguiu reunir centenas de estudantes, é apenas o começo de uma luta que certamente alcançará a vitória com a mobilização e a organização do movimento estudantil, que exige DEMOCRACIA JÁ na PUCRS!

Nós da ANEL nos somamos nesse movimento, reunindo estudantes da PUCRS mas também de diversas Universidades e Escolas, pois só com unidade na luta poderemos dizer BASTA a essa ditadura do DCE.


Acreditamos que é possível construir nas lutas um novo movimento estudantil!

Amanhã, 16/06, estaremos lá novamente para dizer: 
Já caiu esse DCE! Eleições democráticas já!

FORA MAFIA DO DCE DA PUCRS

 








































POR UM MOVIMENTO ESTUDANTIL LIVRE! DERRUBAR A MÁFIA DA PUC!
 

Desde a semana passada o Movimento Estudantil gaúcho, em especial os estudantes da PUC, vem protagonizando uma grande onda de mobilizações contra a Máfia ligada ao PDT, que há tempos se apoderou do DCE da Universidade. O estopim das mobilizações foi a falta de democracia nas eleições do CONUNE, que estavam ocorrendo na semana passada, mas logo o movimento se expandiu a todos setores estudantis da Universidade e passou a questionar de frente a legitimidade da atual gestão do DCE e exigir eleições democráticas. A Máfia da PUC comanda a entidade a mãos de ferros, não realizando eleições abertas e democráticas e muito menos, prestação de contas, há mais de 20 anos.

Na noite de ontem, novamente durante as eleições para o CONUNE, eles passaram de todos os limites: agrediram estudantes, abusaram sexualmente de ativistas do movimento e como sempre, impediram o direito de auto-organização estudantil.Felizmente, a revolta dos estudantes cresceu de acordo com a brutalidade dos fatos e rapidamente se iniciaram as manifestações de repúdio, organizadas principalmente pelo Movimento 89 de Junho, que reuniu na noite de ontem mais de 300 pessoas. Esse movimento foi recentemente criado com o intuito de unificartod@s estudantes que repudiam as práticas corruptas, violentas e anti-democráticas do DCE e é composto por diversos coletivos, entidades e independentes; seu nome faz referência as datas iniciais das mobilizações (8 e 9/06).

NA PUC, O NOVO PEDE PASSAGEM!

Na manhã de hoje o caso chegou a imprensa e inclusive foi pauta na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, conquistando o apoio de alguns parlamentares. Hoje o movimento prepara, para o início da noite, um grande ato para exigir punição aos agressores machistas e democracia na PUC, a forte adesão aos protestos tem mostrado que o novo pede passagem. Assim como os estudantes espanhóis que acamparam nas Praças para exigir a real democracia, os estudantes da PUC estão mantendo suas barracas em frente ao DCE. E como a juventude egípcia que derrubou a ditadura de Mubarak e logo fundou DCEs Livres em massa nas Universidades, é hora tomarmos para nós a grande batalha de afirmar na PUC um novo movimento estudantil: LIVRE, democrático e combativo.
 
A unidade é fundamental, e nesse momento em que a situação se acirra é preciso cortar qualquer tipo de relação com a Máfia da PUC. Nesse sentido chamamos a UNE a romper e deslegitmar essa entidade, que não representa de maneira alguma os interesses dos estudantes. Por anos a UNE se calou diante da situação dos estudantes da PUC e nunca seus fóruns encaminharam qualquer tipo de ação contrária as políticas dessa entidade, pois infelizmente as práticas organizadas pela Máfia da PUC são semelhantes as organizadas pela direção majoritária da UNE(UJS/PCdoB), que coordena a mãos de ferro a entidade, também, ha mais de 20 anos e mantem pessoas ligadas a corrente política do DCE (PDT) na diretoria central da entidade. Convidamos também, todos estudantes que hoje se manifestam pela construção de movimento estudantil livre a conhecerem e participar do 1° Congresso da ANEL, aberto a todos estudantes, independente e a serviço das mobilizações da Juventude!

ABAIXO DCE QUE BATE EM MULHER!

Nós da ANEL apoiamos e estamos junto na luta dos estudantes da PUC, repudiamos qualquer tipo de agressão principalmente de cunho machista que vem acontecendo repetitivamente nos últimos 20 anos. Reivindicamos a atitude das companheiras mulheres que são linha de frente das mobilizações, assim como no oito de maio Egípcio que colocou na rua milhares de lutadoras que após a queda do ditador clamavam por liberdade. Defendemos novas eleições para o DCE da PUC assim como punição exemplar aos agressores machistas!

ANEL (Assembléia Nacional de Estudantes – Livre)


13 de jun. de 2011

Nota de APOIO aos servidores!



Nós da ANEL RS damos total apoio aos servidores da UFRGS, UFSM, UFCSPA e FURG que estão realizando paralisações e manifestações nessas últimas semanas. A luta dos servidores por melhores salários e condições de trabalho é a luta de tod@s estudantes que defendem uma universidade realmente pública e de qualidade. O Governo Dilma se nega a negociar com os grevistas, mostrando que para o atual governo os servidores e a educação ficam em segundo plano. Chamamos a tod@s nossos colegas que são bolsista administrativos que se integrem as paralisações e mobilizações. Somos contra a terceirização nas universidades públicas e defendemos o livre direito de greve!

Força na Luta e Saudações Estudantis.

ANEL - RS ( Assembléia Nacional de Estudantes - Livre)



Greve ao redor do País

Subiu para 34 as universidades federais cujos técnico-administrativos paralisaram as atividade em função da greve organizada em todo o país pela Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades Brasileiras – FASUBRA. Veja quem já aderiu:



UFRN;UFRPE;UFSC;UFPE;UFOP;UFMT;UFT;UFAM;UFSM;UFSCar;UFES;UFRGS;UFAC;UFRA;UFCSPA;UnB;UFBA;UFMA;UFJF;UFG;UFMG;UFVJM;UFRRJ;UFS;UFV;UFPB;UFCG;FURG;UFF;UFERSA;UFRB;UFLA;UFAL;UFSJ.

Demais Universidades:


UTFPR – Assembléia Geral dia 14 de junho;


UFRJ – Deflagração de greve para o dia 15 de junho;


UFTM – Deflagração de greve para o dia 15 de junho;


UFPI – Deflagração de greve para o dia 15 de junho;


UFGD – Deflagração de greve para o dia 15 de junho;


UFPR – Assembléia Geral dia 15 de junho;


UFU – Deflagração de greve para o dia 16 de junho;


UFC – Deflagração de greve para o dia 16 de junho.


Universidades sem informes: UNIR, Unifap, Unirio, Unifesp, UNIFEI (Itajubá), UNIFAL (Alfenas), CEFET/MG, Unipampa, UFABC, UFFS e Unila.


Universidades que não aprovaram greve: UFPel e UFMS.

Dia 16 em defesa da Educação!

 
 
A desmoralização social da carreira docente
VALÉRIO ARCARY
 
Historiador, professor do Cefet/SP e membro do conselho editorial da revista Outubro

Qualquer avaliação honesta da situação das redes de ensino público estadual e municipal revela que a educação contemporânea no Brasil, infelizmente, não é satisfatória. Mesmo procurando encarar a situação dramática com a máxima sobriedade, é incontornável verificar que o quadro é desolador. A escolaridade média da população com 15 anos ou mais permanece inferior a oito anos, e é de quatro entre os 20% mais pobres, porém, é superior a dez entre os 20% mais ricos 1. É verdade que o Brasil em 1980 era um país culturalmente primitivo que recém completava a transição histórica de uma sociedade rural. Mas, ainda assim, em trinta anos avançamos apenas três anos na escolaridade média. 

São muitos, felizmente, os indicadores disponíveis para aferir a realidade educacional. Reconhecer as dificuldades tais como elas são é um primeiro passo para poder ter um diagnóstico aproximativo. A Unesco, por exemplo, realiza uma pesquisa que enfoca as habilidades dominadas pelos alunos de 15 anos, o que corresponde aos oitos anos do ensino fundamental 2. O Pisa (Programa Internacional de avaliação de Estudantes) é um projeto de avaliação comparada. As informações são oficiais porque são os governos que devem oferecer os dados. A pesquisa considera os países membros da OCDE além da Argentina, Colômbia e Uruguai, entre outros, somando 57 países.

Em uma avaliação realizada em 2006, considerando as áreas de Leitura, Matemática e Ciências o Brasil apresentou desempenho muito abaixo da média 3. No caso de Ciências, o Brasil teve mais de 40% dos estudantes situados no nível mais baixo de desempenho. Em Matemática, a posição do Brasil foi muito desfavorável, equiparando-se à da Colômbia e sendo melhor apenas que a da Tunísia ou Quirguistão. Em leitura, 40% dos estudantes avaliados no Brasil, assim como na Indonésia, México e Tailândia, mostram níveis de letramento equivalentes aos alunos que se encontram no meio da educação primária nos países da OCDE. Ficamos entre os dez países com pior desempenho.

As razões identificadas para esta crise são variadas. É verdade que problemas complexos têm muitas determinações. Entre os muitos processos que explicam a decadência do ensino público, um dos mais significativos, senão o mais devastador, foi a queda do salário médio docente a partir, sobretudo, dos anos oitenta. Tão grande foi a queda do salário dos professores que, em 2008, como medida de emergência, foi criado um piso nacional. Os professores das escolas públicas passaram a ter a garantia de não ganhar abaixo de R$ 950,00, somados aí o vencimento básico (salário) e as gratificações e vantagens. Se considerarmos como referência o rendimento médio real dos trabalhadores, apurado em dezembro de 2010 o valor foi de R$ 1.515,10 4. Em outras palavras, o piso nacional é inferior, apesar da exigência mínima de uma escolaridade que precisa ser o dobro da escolaridade média nacional.

Já o salário médio nacional dos professores iniciantes na carreira com licenciatura plena e jornada de 40 horas semanais, incluindo as gratificações, antes dos descontos, foi R$1.777,66 nas redes estaduais de ensino no início de 2010, segundo o Ministério da Educação. Importante considerar que o ensino primário foi municipalizado e incontáveis prefeituras remuneram muito menos. O melhor salário foi o do Distrito Federal, R$3.227,87. O do Rio Grande do Sul foi o quinto pior, R$1.269,56 5. Pior que o Rio Grande do Sul estão somente a Paraíba com R$ 1.243,09, o Rio Grande do Norte com R$ 1.157,33, Goiás com R$ 1.084,00, e o lanterninha Pernambuco com R$ 1016,00. A pior média salarial do país corresponde, surpreendentemente, à região sul: R$ 1.477,28. No Nordeste era de R$ 1.560,73. No centro-oeste de R$ 2.235,59. No norte de R$ 2.109,68. No sudeste de R$ 1.697,41. 

A média nacional estabelece o salário docente das redes estaduais em três salários mínimos e meio para contrato de 40 horas. Trinta anos atrás, ainda era possível ingressar na carreira em alguns Estados com salário equivalente a dez salários mínimos. Se fizermos comparações com os salários docentes de países em estágio de desenvolvimento equivalente ao brasileiro as conclusões serão igualmente escandalosas. Quando examinados os salários dos professores do ensino médio, em estudo da Unesco, sobre 31 países, há somente sete que pagam salários mais baixos do que o Brasil, em um total de 38 6. Não deveria, portanto, surpreender ninguém que os professores se vejam obrigados a cumprir jornadas de trabalho esmagadoras, e que a overdose de trabalho comprometa o ensino e destrua a sua saúde.

O que é a degradação social de uma categoria? Na história do capitalismo, várias categorias passaram em diferentes momentos por elevação do seu estatuto profissional ou por destruição. Houve uma época no Brasil em que os “reis” da classe operária eram os ferramenteiros: nada tinha maior dignidade, porque eram aqueles que dominavam plenamente o trabalho no metal, conseguiam manipular as ferramentas mais complexas e consertar as máquinas. Séculos antes, na Europa, foram os marceneiros, os tapeceiros e na maioria das sociedades os mineiros foram bem pagos. Houve períodos históricos na Inglaterra – porque a aristocracia era pomposa - em que os alfaiates foram excepcionalmente bem remunerados. Na França, segundo alguns historiadores, os cozinheiros. Houve fases do capitalismo em que o estatuto do trabalho manual, associada a certas profissões, foi maior ou menor. 

A carreira docente mergulhou nos últimos vinte e cinco anos numa profunda ruína. Há, com razão, um ressentimento social mais do que justo entre os professores. A escola pública entrou em decadência e a profissão foi, economicamente, desmoralizada, e socialmente desqualificada, inclusive, diante dos estudantes.

Os professores foram desqualificados diante da sociedade. O sindicalismo dos professores, uma das categorias mais organizadas e combativas, foi construído como resistência a essa destruição das condições materiais de vida. Reduzidos às condições de penúria, os professores se sentem vexados. Este processo foi uma das expressões da crise crônica do capitalismo. Depois do esgotamento da ditadura, simultaneamente à construção do regime democrático liberal, o capitalismo brasileiro parou de crescer, mergulhou numa longa estagnação. O Estado passou a ser, em primeiríssimo lugar, um instrumento para a acumulação de capital rentista. Isso significa que os serviços públicos foram completamente desqualificados. 

Dentro dos serviços públicos, contudo, há diferenças de grau. As proporções têm importância: a segurança pública está ameaçada e a justiça continua muito lenta e inacessível, mas o Estado não deixou de construir mais e mais presídios, nem os salários do judiciário se desvalorizaram como os da educação; a saúde pública está em crise, mas isso não impediu que programas importantes, e relativamente caros, como variadas campanhas de vacinação, ou até a distribuição do coquetel para os soropositivos de HIV, fossem preservados. Entre todos os serviços, o mais vulnerável foi a educação, porque a sua privatização foi devastadora. Isso levou os professores a procurarem mecanismos de luta individual e coletiva para sobreviverem.

Há formas mais organizadas de resistência, como as greves, e formas mais atomizadas, como a abstenção ao trabalho. Não é um exagero dizer que o movimento sindical dos professores ensaiou quase todos os tipos de greves possíveis. Greves com e sem reposição de aulas. Greves de um dia e greves de duas, dez, quatorze, até vinte semanas. Greves com ocupação de prédios públicos. Greves com marchas. 

Conhecemos, também, muitas e variadas formas de resistência individual: a migração das capitais dos Estados para o interior onde a vida é mais barata; os cursos de administração escolar para concursos de diretor e supervisor; transferências para outras funções, como cargos em delegacias de ensino e bibliotecas. E, também, a ausência. Tivemos taxas de absenteísmo, de falta ao trabalho, em alguns anos, inverossímeis.

Não obstante as desmoralizações individuais, o mais impressionante, se considerarmos futuro da educação brasileira, é valente resistência dos professores com suas lutas coletivas. Foram e permanecem uma inspiração para o povo brasileiro. 


1 Os dados sobre desigualdades sociais em educação mostram, por exemplo, que, enquanto os 20% mais ricos da população estudam em média 10,3 anos, os 20% mais pobres tem média de 4,7 anos, com diferença superior a cinco anos e meio de estudo entre ricos e pobres. Os dados indicam que os avanços têm sido ínfimos. Por exemplo, a média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais de idade se elevou apenas de 7,0 anos em 2005 para 7,1 anos em 2006. Wegrzynovski, Ricardo Ainda vítima das iniqüidades 
in http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=3962
Consulta em 21/02/2011.


2 Informações sobre o PISA podem ser procuradas em:
http://www.unesco.org/new/en/unesco/
Consulta em 21/02/2011


3 O relatório citado organiza os dados de 2006, e estão disponíveis em:
http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001899/189923por.pdf
Consulta em 19/02/2011


4 A pesquisa mensal do IBGE só é realizada em algumas regiões metropolitanas. Não há uma base de dados disponível para aferir o salário médio nacional. Veja o link aqui Consulta em 19/02/2011

5 Uma pesquisa completa sobre os salários iniciais em todos os Estados pode ser encontrada em estudo:
http://www.apeoc.org.br/extra/pesquisa.salarial.apeoc.pdf 
Consulta em 14/02/2011


6 http://www.adur-rj.org.br/5com/pop-up/unesco.htm

Publicado originalmente na revista do CEPRS
 
 
 
 
 
 
 
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