14 de ago. de 2011
10 de ago. de 2011
A juventude gaúcha indignada: queremos uma copa do povo!
Matheus Gomes - Estudante de História da UFRGS - Diretor do DCE da UFRGS
Nathália Gasparini - Estudante de Letras da UFRGS - Comissão Executiva da ANEL-RS
Os milhares de trabalhador@s e jovens que passam diariamente pelo Centro de Porto Alegre no seu horário de almoço ou durante as saídas e entradas das escolas, se depararam na última sexta-feira, 05/08, com um protesto irreverente e politizado. As músicas eram cantadas em ritmo de funk e parodiadas das maiores arquibancadas do nosso país e a banda continha todos os instrumentos das charangas tradicionais das Torcidas Organizadas. Camisetas dos mais diversos times estiveram presentes. Jovens de várias torcidas se misturaram com ativistas do movimento estudantil e social, se unindo em torno de duas bandeiras: a saída imediata do corrupto Ricardo Teixeira, que comanda a CBF a mãos de ferro a mais de 20 anos; e a necessidade de que a Copa de 2014 esteja a serviço do povo, diferente do que temos visto até agora.
Foi a vez de Porto Alegre protestar “por uma Copa do povo” e se somar aos milhares de internautas que lançaram o #FORARICARDOTEIXEIRA nas redes sociais e hoje começam a sair para as ruas do país. O ato contou com cerca de 250 pessoas e foi organizado pela Frente Nacional dos Torcedores, ANEL, CSP-Conlutas, o Coletivo Juntos e o DCE da UFRGS.
Você pensa que a Copa é nossa?
A importância desse movimento na atual conjuntura em que vivemos, com diversas categorias de trabalhadores em luta no Brasil e jovens #indignados no mundo inteiro, é notável. A realização da Copa de 2014 foi comemorada no Brasil inteiro e criou um sentimento de euforia em milhões de brasileiros, especialmente os jovens e a classe trabalhadora. Mas hoje, as intenções de Dilma, Ricardo Teixeira e das grandes empresas multinacionais responsáveis pela realização do megaevento começam a ficar nítidas e gerar revolta. Os ingressos para assistir as partidas, por exemplo, estão estimados entre R$ 150 e os absurdos R$ 1.500, um ultraje ao trabalhador que ganha R$ 545 por mês. Se parasse por aí, menos mal, assistiríamos aos jogos na televisão e tudo ok. Mas o problema é que em Porto Alegre as obras da Copa estão vindo acompanhadas com uma série de despejos de comunidades pobres, feitos sobre a justificativa dos ''necessários realocamentos'', mas que na verdade são comandados pela forte especulação imobiliária e a política de faxina étnica que antecede todo megaevento na periferia das grandes cidades.
Além de tudo isso, a farra das licitações de Dilma vai engordar ainda mais o bolso dos empreiteiros e políticos corruptos do nosso país, pois impõe a flexibilização da lei dos contratos e o sigilo sobre os gastos. Ou seja, vale tudo. A vontade de Dilma e Ricardo Teixeira é que a Copa seja realizada por debaixo dos panos e por cima dos anseios dos jovens e trabalhadores. Um exemplo disso são as péssimas condições dos operários da Construção Civil que trabalham nas obras da Copa. Alguns, como os do Mineirão em BH, seguem o exemplo dos operários que pararam as obras da Copa da África em 2010 e já entraram em greve reivindicando salários e condições dignas para trabalhar.
O futebol e a ideologia dominante: corrupção e competição
Nesse momento, em que iniciamos o debate com a população sobre o caráter e os efeitos da Copa para os explorados, nos parece importante entrar em outra questão, a relação do futebol com a ideologia dominante. Ao desenvolvimento da cultura sempre correspondem, de alguma maneira, processos políticos e econômicos. Isso acontece com a música, com a literatura, com o teatro, e, também, com as práticas de cultura corporal. Por isso, o futebol se insere nesse processo.
Se, no período da ditadura militar, o futebol foi amplamente propagandeado e incentivado como formador da identidade e da unidade nacional, hoje ele reflete o que há de mais forte na nossa economia neoliberal: a competição e a corrupção. A competição é característica da ideologia que mais massacra a juventude: é preciso ser mais na escola, é preciso ser mais no mercado de trabalho. E no esporte não é diferente, pois cada vez mais os atletas são transformados em máquinas que precisam superar o outro e a si mesmo, às vezes às custas da própria saúde!
A corrupção no futebol, nós podemos observar em diversos fatos. Compras de juízes, por exemplo, já se tornaram fatos comuns nos últimos tempos, assim como as denúncias envolvendo dirigentes de grandes times como Eurico Miranda do Vasco e Andrés Sanches do Corinthians. Ricardo Teixeira, porém, é o campeão. O presidente da CBF é acusado de enriquecimento ilícito, de receber propina de empresas de marketing, de pedir suborno para empresas de TV para votar nos países candidatos à Copa de 2022, além de receber o modesto salário de 80 mil reais. Mais do que ser corrupto, ele não tem vergonha disso: em entrevista à revista Piauí, o milionário declarou que pode fazer o que quiser em relação à Copa!
Por outro lado, em tempos de Copa do Mundo, os projetos culturais e econômicos se aproximam e se desvelam, e se abre a possibilidade do movimento social intervir com força no debate. É através dos jogos da Copa que os governos Lula/Dilma tem criado o mito do desenvolvimento econômico e tem implementado seu projeto político neo-liberal com o disfarce de governo popular, mantendo a simpatia do povo. Mas é possível desmascarar essa farsa!
A máscara que tentam nos impor
É notório o interesse do governo, para além do mito do desenvolvimento econômico, de realizar uma copa no Brasil, afim de aumentar sua popularidade entre o povo e manter a política de pão e circo. Por exemplo, hoje, são três ministros que caíram no governo Dilma, além das denúncias de corrupção no DNIT. Isso aconteceu em apenas sete meses de governo, e, certamente, acontecerá muito mais ao longo dos seus quatro anos de governo. Aí entra o poder indiscutível de uma Copa do mundo de distrair e entreter grande parte da população, encobrindo escândalos políticos e até mesmo a crise econômica que ameaça o país.
Entretanto, ao mesmo tempo em que a Copa tenta encobrir ideologicamente os problemas do país, ela pode acirrar e desvelar os conflitos sociais: é o que temos visto nos demandos de Ricardo Teixeira, nas remoções das comunidades populares, nas greves da construção civil.
Dessa forma, nós da ANEL acreditamos que é possível lutar por uma copa do povo! É possível unir estudantes e trabalhadores para ir às ruas e dizer que esse projeto de Copa que abriga as mais atrozes políticas de corrupção, que expulsa famílias pobres de suas casas, que superexplora os trabalhadores não é a copa que queremos:
POR UMA COPA DO POVO!
ANEL participa da Coordenação Nacional da CSP - Conlutas
ANEL participa de Coordenação Nacional da CSP Conlutas
Confira mais notícias no Site da CSP Conlutas!
Confira mais fotos no Picasa Web da ANEL!
A Comissão Executiva Nacional e ativistas da ANEL participaram, nos dias 5, 6 e 7, da Coordenação Nacional da CSP Conlutas. Como forma de fortalecer o caráter da Central Sindical e Popular Conlutas, que conta com a participação do movimento de combate às opressões e o estudantil, marcamos a presença da ANEL. Foi realizado em Belo Horizonte, no SINTEL – Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações.
Ao início da coordenação, Zé Maria deu um informe inicial sobre conjuntura, e o ponto refletiu uma série de discussões importantes. Foi tratado do tema internacional, ressaltando a importância dos processos de mobilização da Europa e os que seguem no mundo árabe, como agora na Síria, além de dar destaque para o impasse que viveu o governo dos EUA de Obama sobre o pagamento da dívida pública.
Sobre o Brasil, foi proposto no ponto uma campanha com o tema “Se o Brasil cresceu, o trabalhador quer o seu!”, expondo a contradição que vive o Brasil, do crescimento econômico que não vem acompanhado de uma mudança na qualidade de vida dos trabalhadores. Do orçamento público hoje, quase a metade é destinada para pagar grandes banqueiros e empresários através da dívida pública, enquanto o governo promove uma série de cortes nas verbas das áreas sociais, como os 3,1 bilhões de reais cortados da educação esse ano.
Sobre o Brasil, foi proposto no ponto uma campanha com o tema “Se o Brasil cresceu, o trabalhador quer o seu!”, expondo a contradição que vive o Brasil, do crescimento econômico que não vem acompanhado de uma mudança na qualidade de vida dos trabalhadores. Do orçamento público hoje, quase a metade é destinada para pagar grandes banqueiros e empresários através da dívida pública, enquanto o governo promove uma série de cortes nas verbas das áreas sociais, como os 3,1 bilhões de reais cortados da educação esse ano.
CSP Conlutas e ANEL na Campanha Nacional pelos 10% do PIB pra educação!
A ANEL interviu na reunião, ressaltando a importância de fortalecer junto com o movimento de educação e o conjunto dos sindicatos e movimentos populares a Campanha Nacional pelos 10% do PIB pra educação pública já. Essa Campanha deverá ter um peso fundamental na Jornada de Agosto e na Marcha em Brasília, ressaltando que o novo Plano Nacional de Educação do governo Dilma prevê apenas 7% de investimento, para daqui há 10 anos. Exigiremos do governo um investimento imediato de 10% do PIB, que é a necessidade real da educação, já que o Brasil é um dos países que em contradição com seu crescimento econômico, se encontra nos piores índices mundiais nesse terreno.
A ANEL ressaltou também, a partir da experiência que vivenciou semanas antes, a importância da Central prestar todo o apoio à luta do movimento estudantil chileno, encaminhando uma moção que foi aprovada na Plenária Final, de repúdio à truculenta repressão e pela imediata libertação dos mais de 800 presos políticos pelo governo Piñera.
A ANEL ressaltou também, a partir da experiência que vivenciou semanas antes, a importância da Central prestar todo o apoio à luta do movimento estudantil chileno, encaminhando uma moção que foi aprovada na Plenária Final, de repúdio à truculenta repressão e pela imediata libertação dos mais de 800 presos políticos pelo governo Piñera.
Participamos também do Setorial de Educação, que articulou junto com diversos sindicatos dos profissionais de educação e o ANDES a Campanha Nacional pelos 10% do PIB, assim como a intervenção na Jornada e na Marcha em Brasília. Pensamos formas de articular nacionalmente os estados e municípios que seguem em greve e promover uma pauta nacional de reivindicações do setor, articulando com a exigência da ampliação de investimento e a denúncia do papel atrasado que cumpre o novo PNE. Foi ressaltada a importância de discutir mais profundamente o tema na próxima Coordenação Nacional, no sentido de aprofundar a elaboração sobre um Plano Nacional da Educação voltado à classe trabalhadora. No fim, a ANEL se incorporou à coordenação do setorial de Educação.
CSP Conlutas no combate às Opressões
Nas últimas Coordenações Nacionais, a Central têm se esforçado em aprofundar suas elaborações sobre alguns temas. Já foi discutido a reforma urbana, a questão agrária, e nessa o tema escolhido foi sobre o combate às opressões.
Iniciado na manhã de sábado, foi realizada uma Mesa com convidados como deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), deputado do PSOL, Claudia Mazzei Nogueira autora do livro a feminização do trabalho, Roseverck Santos do Quilombo Raça e Classe, o presidente da Parada Gay de SP, Ideraldo Beltrame, que deram fizeram excelentes exposições sobre cada tema.
Na parte da tarde, os setorias de Mulheres, Negros e Negras e LGBT da CSP Conlutas fizeram suas exposições. Foi aprovada uma campanha de pautas específicas do setor de combate às opressões para as Campanhas Salariais. O nome da campanha é “Chega de Preconceito, Trabalho Igual, Salário Igual”, e será unificada entre negros, mulheres e LGBTs sendo levada aos locais de trabalho, buscando a união da luta sindical com a luta contra as opressões.
Nós da ANEL contamos da importância desse debate, que sempre esteve presente entre as principais campanhas e atividades da entidade, e que agora estamos nos esforçando pela realização do Kit anti-homofobia, como parte do esforço na luta pela criminalização da homofobia e aprovação do PL 122. Além disso, colocamos a importância da criação do GT nacional de combate às opressões e da organização estudantil nesse tema em cada entidade de base.
Fortalecendo a Executiva Nacional da ANEL
No primeiro dia da Coordenação, a CEN se reuniu presencialmente. Este esforço é parte do cumprimento da Resolução de Concepção de Entidade e Direção, votada no 1º Congresso. Pautamos a campanha nacional pelos 10% do PIB, a intervenção na Jornada de Agosto, a construção do Kit anti-homofobia, as Finanças da entidade e a preparação da V Assembléia Nacional. Decidimos que a próxima Assembléia será no dia 25 de agosto, em Brasília, logo após a Marcha, e terá uma enorme importância para impulsionar as Resoluções votadas no 1º Congresso da ANEL.
A reunião foi extremamente produtiva, e sem dúvida preparou os principais desafios do semestre. Suas deliberações estão no Informativo nº 16, disponível no site da ANEL. A próxima Coordenação Nacional da CSP Conlutas será nos dias 21, 22 e 23 de outubro, no Rio de Janeiro, e a CEN estará presente novamente para preparar a ANEL seus próximos desafios, além de fortalecer um princípio fundamental da entidade: a aliança operária-estudantil.
Assinar:
Postagens (Atom)



