10 de jun de 2011

O Preço de Palocci


Tiago "Bino" Membro da ANEL e integrante do DAECA - UFRGS          

     Com a recente queda do Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, criou-se uma série de dúvidas sobre os acontecimentos recentes. Aqui tentarei responder apenas uma. Que preço tivemos que pagar pela crise deflagrada pelo enriquecimento de 20 milhões do ministro Palocci?
      Antes abro um breve parênteses. Sempre tive dificuldade de entender o que são grandes quantias de dinheiro. Uma ferramenta que uso para melhor dimensionar vultuosas quantias é transformá-las em valores reais. Assim, vejamos, 20 milhões de reais – são sete zerinhos (20 000 000) – é o mesmo que o salário de um ano (com décimo terceiro) de 1619 bombeiros cariocas, que hoje encontram-se em campanha salarial e têm sido duramente reprimidos pelo governador Sérgio Cabral, aliado da Presidenta Dilma.
“Na campanha de 2002, Palocci foi um dos principais interlocutores do partido com a burguesia industrial e financeira”. Essa frase é do Sr. Francisco Rocha da Silva, membro da comissão de ÉTICA E DISCIPLINA do Partido dos Trabalhadores - ou seria Partido dos Milionários?
     Por aí já temos um caminho do preço pago para manter Palocci. Uma aliança com a burguesia que se financia – inclusive paga para o Palocci – com o suor e o TRABALHO do povo Brasileiro. É evidente que aparecer 20 milhões na conta de um Ministro brasileiro é algo suspeito. Mas antes de tudo é imoral num país onde cerca de 43% das famílias[1] vivem com até 3 salários mínimos.
     Tal crise, que paralisou o governo Dilma, foi responsável direta pelo recuo do governo quanto a implementação do “kit anti-homofobia”. Com certeza o material que seria distribuído pelo MEC às escolas deixava muito a desejar. Mas seria um grande avanço contra o preconceito, evitando assim que mais jovens fossem hostilizados, perseguidos e até mesmo mortos, pelo simples fato de amarem alguém do mesmo sexo que o seu.
     Como se o preço que teremos que pagar já não fosse alto, ainda tivemos a aprovação do Código Florestal. Em meio a crise e para manter a “blindagem” ao Ministro, o governo foi derrotado na aprovação do novo Código Florestal que trará conseqüências imensuráveis ao meio ambiente e conseqüentemente ao povo brasileiro.
     “Vão-se os anéis e ficam os dedos” – Palocci coloca seu cargo a disposição na tentativa de poupar o governo de uma crise ainda maior. Mas o desgaste já existe e muita coisa ainda deve ser respondida. Por enquanto, quem paga por isso são os milhões de brasileiros e brasileiras furtados de um futuro melhor e mais justo.

 [1] Censo 2000 - IBGE