8 de jul de 2011

Dois Congressos: O que as finanças nos ensinam?


  Dois Congressos: O que as finanças nos ensinam?
Por Catharina Lincoln, da CEN

       Desde sua fundação a ANEL relançou o desafio ao movimento estudantil de resgatar a importante concepção da independência financeira, abandonada desde então pela velha entidade dos estudantes, a UNE. Sem dúvida, a perda da independência política da velha entidade foi conseqüência do financiamento direto pelo Governo Federal. Entre 2004 e 2009 a UNE recebeu mais de R$ 10 milhões do governo e de empresas estatais, como a Petrobras, a Eletrobrás, a Caixa Econômica e o BNDS. Em 2005, para financiar seu Congresso, a UNE recebeu R$ 50 mil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No último Congresso, em 2009, a UNE também contou mais uma vez com o patrocínio das empresas estatais.

         É por esse triste cenário que a voz que fala mais alto nos Congressos da UNE não é a do estudante, é a do Governo. Durante os 8 anos sob o governo Lula, os Congressos da UNE nada mais fizeram que aplaudir de pé todos os projetos educacionais do Governo. Até diante de escândalos de corrupção, como foram os atos secretos de Sarney em 2009, o Congresso da entidade que já derrubou um presidente, se calou. Infelizmente, com o governo Dilma, não será diferente. Na mesma coluna de divulgação oficial de seu Congresso, o próprio site da entidade conta com links diretos para os portais da Caixa Econômica Federal e Petrobras. É por isso que o Congresso da UNE vai apoiar o projeto de partilha do pré-sal apresentado pelo governo, vai defender o novo PNE de Dilma e assim, mais uma vez vai afirmar na voz de um novo presidente que não existe problema em receber patrocínio das empresas estatais.

1° Congresso da ANEL: A voz é do estudante livre!

         Durante todo o primeiro semestre de 2011, estudantes do Brasil inteiro agitaram as universidades e escolas com a construção do 1° Congresso da ANEL. Mas não foi só a movimentação política que marcou a grande vitória desse processo. Foram centenas de estudantes se movimentando com campanhas financeiras para garantir a ida das delegações ao Rio de Janeiro. Desde a rifa nacional da ANEL, que já tem seu ganhador, até venda de docinhos, pedágios, livro-ouro, … cada centavo que entrava para financiar as taxas foi fruto de muito esforço. Esse grande esforço garantiu um Congresso auto-sustentado pelas taxas pagas pelos estudantes de todo o Brasil.

            Com a ampla participação dos estudantes nas discussões, os 4 dias do Congresso da ANEL foram marcados pelos atuais debates da juventude brasileira. O saldo foi ter um Congresso que vai armar a luta intransigente em defesa da Educação, denunciando o novo PNE de Dilma e exigindo a imediata aplicação dos 10% do PIB. Esse saldo, sem dúvidas, só foi possível porque os estudantes livres foram os construtores e financiadores desse Congresso.
              
              Toda forma de financiamento do Congresso da ANEL, somado ao esforço de centenas de estudantes serviu de exemplo para afirmar a importância de resgatar essa concepção. O debate sobre a independência financeira foi coroado com a aprovação, na Plenária final do Congresso, de uma resolução de finanças que apresenta a forma como será financiada a ANEL: através da contribuição das Comissões Executivas Estaduais da ANEL, das entidades gerais e de base (DCE’s, CA’s) e também da contribuição individual dos estudantes. Com a entidade consolidada, com independência política e financeira, os estudantes saem do Congresso da ANEL com a certeza que é possível construir um movimento estudantil livre, independente e de luta! Nada é para sempre… o novo pede passagem!