1 de ago de 2011

Você pensa que a Copa é nossa?





                                 NOTA da  ANEL-RJ
Cumprindo as deliberações do seu congresso, a ANEL vem participando da organização dos atos contra a roubalheira nas obras da copa e contra as remoções da população pobre.
A população brasileira, ao receber a notícia que o Brasil sediaria a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ficou muito feliz e orgulhosa. Natural, um país conhecido em todo o mundo por seu excelente futebol, onde crianças crescem sonhando ser grandes craques, onde todos possuem seu time de coração e torcem com força pela seleção brasileira. O que poderia ser uma grande festa da população, tem se tornado um verdadeiro pesadelo. Infelizmente, o esporte que era para ser um momento de lazer da classe trabalhadora e da juventude tem na Copa do Mundo e nas Olimpíadas a expressão máxima de que não é bem assim que a coisa funciona. Muitos começam a perceber, portanto,que estes mega-eventos não estão a serviço do povo. Os ingressos serão caríssimos, as obras só beneficiam as empresas, impõe condições de trabalho extenuantes, os escândalos de corrupção só aumentam e o governo passa por cima de tudo para garantir os jogos e atrair os holofotes e turistas de todo o mundo.
As grandes empresas e os governos vêm comemorando a realização dos megaeventos. Claro, estes setores estão ganhando rios de dinheiro às custas da espoliação dos cofres públicos e da remoção de famílias pobres de suas casas. A obra do maracanã é um símbolo. Primeiro, que foram feitas duas obras, recentemente. A obra atual foi orçada em 700 milhões de reais, mas já ultrapassou 2 bilhões. Tudo garantido com recursos públicos e, no fim das contas, o estádio será privatizado. Fora isso, o governo federal sancionou a MP527, que flexibiliza as licitações das obras da copa, permitindo que as decisões se façam por baixo dos panos. Assim, vai aumentar a corrupção e a entrega do dinheiro público as empresas. O Eike Batista e outros grandes empresários agradecem.
Para os professores não tem aumento salarial. Fecham-se escolas no estado e os hospitais caem aos pedaços. Tudo isso com a desculpa que não há recursos. O Estado vem sendo remodelado para atender os interesses dos mega-eventos. Ou seja, todas as mudanças no RJ, agora, só atendem as demandas das grandes empresas e os parâmetros internacionais. O governo federal libera dinheiro público para as empreiteiras realizarem as obras e lucrarem com estas. Enquanto isso, o governo do estado e a prefeitura vêm removendo famílias e mais famílias sem garantir a indenização justa, fomentando a especulação imobiliária milionária por conta da Copa. Como forma de desmontar a resistência nas comunidades, o governo busca dar uma indenização desigual àqueles que são líderes de associações de moradores ou os mais influentes nas comunidades, buscando dividir os moradores e enfraquecer sua luta. A maioria não ganha um centavo, e o governo pretende deixá-los com uma mão na frente e outra atrás, sem-teto e sem perspectivas de uma vida digna.

Na lógica do governo nada pode atrapalhar a preparação da cidade para a realização dos mega-eventos.
Nesse sentido, Cabral com a política das UPP’s militarizou todos os morros cariocas, que hoje servem também para garantir a segurança dos jogos. Esta política injusta do governo trata os moradores das comunidades como bandidos, numa verdadeira onda de criminalização da pobreza. Não vemos investimentos em educação, saúde ou infra-estrutura. Só vemos mais polícia, mais blindados, mais caveirão, mais fuzis e mais mortes da população negra e pobre. O objetivo do governo não é gerar bem-estar para os trabalhadores e jovens das comunidades, mas, sim, garantir a repressão e o controle social para os megaeventos. Com uma ilusão ideológica de que em nome da torcida pelo Brasil devemos aceitar todos esses planos, a população fica refém de muitos ataques. Defender e torcer pelo Brasil, é defender sua população, sua cultura popular e uma condição de vida digna para todos. Mas para isso não ficaremos só na torcida: vamos à luta.

• Não às remoções das comunidades para especulação imobiliária da Copa.
• Contra a roubalheira nas obras da Copa!
• O Maraca é Nosso! Não à privatização do Maracanã!
• Cabral e Dilma, chega de dar dinheiro público para as empreiteiras!
• Não a flexibilização das licitações das obras pela MP-527. Transparência já!
• Condições dignas de trabalho para os operários das obras dos mega-eventos!
• Queremos moradia, saúde e educação. Aumento de salários para os trabalhadores!