18 de set de 2011

Julinho: a ausência do Grêmio e a construção de uma nova alternativa

Por Fernanda Khalil, do Movimento Voz Juliana

Os estudantes do Julinho estão cada vez mais abandonados pela atual gestão do GEJC. O nosso Grêmio, que é reconhecido no estado inteiro por todo o movimento social como a principal entidade dos estudantes secundaristas gaúchos, em 2011 não está fazendo jus a essa história. 

Se analisarmos o material de campanha que a chapa da atual gestão integrou ano passado, veremos que mais da metade de suas promessas não chegaram perto de serem cumpridas.

No material, eles prometiam campeonatos inter-colegiais de vôlei e futebol masculino/feminino; jornal para o Grêmio; rádio organizada por coordenadores eleitos pelos estudantes, que fosse independente e democrática e a criação de um departamento de opressões que fizesse palestras alertando sobre o machismo, o racismo, a homofobia, desigualdade social, etc.
Podemos dizer, sem nenhum rastro de dúvida, que não vimos nada disso acontecer.

Houve um chamado para um campeonato de futebol que caiu no esquecimento; nunca ouvimos sequer falar em elaboração de jornal para o Grêmio Estudantil; rádio democrática? Eleita pelos estudantes? O que vimos foi a privatização da sala por acordo do Grêmio com a Jota Haga TV juntamente com a direção da escola; também pouco vimos o Grêmio se envolver nas lutas dos estudantes. Nós do Movimento Voz Juliana construímos e apoiamos diversas ações dos estudantes durante o ano: marcamos presença no 1º Congresso Nacional da ANEL e também participamos da marcha que reuniu mais de 20 mil pessoas em Brasília.
E quanto a criação de um departamento que combatesse as opressões, este não foi criado e pelo que parece, o Grêmio Estudantil deixou de lado o debate ao fechar contrato do Rei e Rainha em uma festa que tem como tema "Beta House! Mansão do Stifler, Parte II", proveniente da trilogia de American Pie.

Como se não bastasse, foi espalhado, pelas paredes da escola, um cartaz de divulgação da festa que mostra entre as letras a figura de uma mulher seminua em uma posição totalmente sexual e, embaixo, a seguinte frase: "Aqui os NERDS não entram!". 

O Movimento de Oposição ao Grêmio, Voz Juliana, tomou a atitude de colar cartazes contra o machismo e o bullying pela escola, chegando a deixar uma faixa na grade da entrada dizendo "Voz Juliana: Aqui só o preconceito não entra!", na expectativa de dialogar com os estudantes e mostrar as atitudes opressoras que vêm sido aplicadas pelo Grêmio Estudantil do Julinho. 

É nesse sentido que o Movimento Voz Juliana está iniciando uma forte organização na escola sobre o debate de  opressões e convoca todos estudantes a se somarem nas próximas ações.
Debater estas questões de fundamental importância é construir a base para que possamos estar, assim, construindo a luta e conquistando espaço para que a voz de cada um seja realmente ouvida.

Esta situação dentro do Julinho não pode continuar assim. Precisamos unir os estudantes no combate às opressões e no resgate da democracia e da luta, que vem sido esquecidas pelo Grêmio Estudantil.