16 de abr de 2013

Em defesa das isenções! Transporte público para todos.




Os trabalhadores e a juventude mobilizados obtiveram uma vitória histórica. Com muita luta conseguimos revogar o aumento da passagem. A máscara da prefeitura e das empresas de ônibus de Porto Alegre caiu. Os protestos demonstraram que as pessoas aprenderam de quem devem cobrar, e estão cobrando.

Porém, em uma tentativa de se isentar dessa responsabilidade, a prefeitura fala em "rever as isenções". Zero Hora, sua aliada estampa em seu site uma matéria dizendo que as isenções pressionam o preço da passagem de ônibus em Porto Alegre, procurando reforçar o velho discurso que culpa idosos e pessoas com deficiência pelo alto preço das passagens. Nada mais mentiroso! Vejamos por que...

Na referida reportagem a própria ZH diz que na capital gaúcha cerca de 32% dos passageiros são isenções. Embora esse número possa parecer alto, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010 cerca de 23,87% da população de Porto Alegre é de pessoas com deficiência e  11,8% é de idosos, logo vemos que a quantidade de isenções é perfeitamente cabível.  Além disso o TCE já mostrou o absurdo do lucro das empresas de ônibus de Porto Alegre, portanto não devemos nos deixar enganar, sabemos quem são os verdadeiros culpados.

Esse discurso apenas demonstra que as empresas de ônibus não querem abrir mão do seu lucro e que a prefeitura não está preocupada com o bem-estar da população. As pessoas com deficiência e os idosos, via de regra, têm maior dificuldade de locomoção, sofrem muito com as calçadas esburacadas, com degraus altos, com obstáculos, com a falta de acessibilidade no desenho urbano e com o descaso na sua manutenção. Essa dificuldade faz com que eles tenham maior necessidade de utilização do transporte público. São também essas pessoas que sofrem mais com a frota sucateada, falta de acessibilidade nos veículos e com a superlotação. E mesmo assim muitas vezes têm que suportar o constrangimento de entrar nos coletivos e ser alvo de olhares inquisidores que parecem perguntar se a condição que dá direito à isenção é mesmo verdadeira, ou se não é apenas alguém tentando se aproveitar. Olhares que em última análise, são causados justamente por esse discurso de culpabilidade, que quer convencer as pessoas de que idosos e deficientes têm de pagar sozinhos o ônus pelas suas limitações e desobrigar de garantir seus direitos aqueles que deveriam fazê-lo. 

Por isso, nós da ANEL, lutamos pelos R$ 2,60 agora, e lutaremos até a conquista do Passe Livre para estudantes, desempregados, idosos e deficientes! Chamamos todos para seguir conosco na reivindicação de um Transporte Público que seja público de fato!" 

#EmFrenteJuventude