1 de fev de 2014

Criminalização dos movimentos sociais no último dia de Janeiro

Por Iago Rodrigues *

O último dia do mês poderia ter terminado perfeito. Tivemos um ato em que dois mil marcharam juntos dos rodoviários de Porto Alegre, que decidiram pela continuação da greve até a vitória, que também será, sem dúvida, a vitória do conjunto da população, que anseia por um transporte público de qualidade. Essa vitória colocará em cheque o prefeito de Porto Alegre e os tubarões do transporte coletivo! Por outro lado, tenho certeza de que a greve já é vitoriosa por demonstrar a ousadia e unidade dos rodoviários, que não enfrentam somente o governo e patrão, mas também o sindicato, dirigido por uma máfia.

O último dia do mês poderia ter terminado perfeito. O último capítulo da novela chocou todos os homofóbicos que se constrangeram com um beijo gay em horário nobre, o que nunca se pensaria, pouco tempo atrás. Uma vitória, pois escancarou para o Brasil o amor entre LGBTs, o que, infelizmente, só ocorre depois de milhares e milhares de homossexuais já terem sido assassinados ou agredidos nas ruas, de norte a sul do Brasil. Comemoremos o beijo gay como uma vitória do movimento, mas continuemos na luta contra a homofobia e por sua criminalização!

O último dia do ano poderia ter terminado perfeito, mas não foi bem assim. Após a vitoriosa marcha em união com os trabalhadores rodoviários, a polícia militar agiu brutalmente como ferramenta de repressão do Governador Tarso Genro, do dito Partido dos Trabalhadores (PT). Que partido de trabalhadores é esse que persegue e prende trabalhadores e estudantes que voltam para casa após protestar inocentemente? A polícia militar de Tarso organizou um esquema impiedoso e imotivado para autuar os manifestantes. Intransigentes, abordaram todos que passaram em sua frente, fossem quem fossem. Eu, inclusive, fui um.

Alguns policiais da cavalaria vieram atrás de mim, mais dois estudantes da ANEL, um amigo e uma companheira que estava próxima de nós. Fomos postos contra a parede, insultados por um soldado, apalpados e revistados por outros, tivemos nossas mochilas reviradas etc. A companheira que caminhava próxima de nós, que não foi revistada por uma policial mulher, como deveria ser, acabou sendo detida, pois carregava spray de pimenta. Mas é claro, é muito difícil se colocar no lugar de uma mulher que anda sozinha na rua, com o perigo de ser assediada fisicamente, nessa sociedade machista que é a capitalista. O spray, que provavelmente era uma ferramenta de defesa pessoal, acabou se tornando uma desculpa para alcançar a meta de presos políticos do dia. Sim, isso escutei do sargento, que sequer desceu de seu cavalo para a abordagem: perguntou quantos caberiam nos camburões que estavam a caminho, e, obtendo a resposta, deu ordens de enchê-los, como se não precisasse de razão para prender manifestantes. Realmente, por pouco um amigo da ANEL que estava comigo não foi detido por portar terríveis armas: pincéis e potes de tinta guache.

O último dia do mês poderia ter terminado perfeito, mas não neste ano de Copa, em que a lei é a criminalização dos movimentos sociais, com o amém da Presidente Dilma, do Governador Tarso, e de todos os governos.

CHEGA! DIZEMOS NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS! NÃO À REPRESSÃO! PROTESTO NÃO É CRIME!

TARSO, A BRUTALIDADE DA SUA POLÍCIA NÃO ATINGE NOSSOS SONHOS!

* Iago é estudante de Comunicação Social da UFRGS e militante da ANEL.